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Setembro Amarelo – Campanha contra o suicídio

 

Nunca desista de quem desistiu de viver!

Tirar a própria vida é o ato mais extremo que uma pessoa pode cometer. Daí a grande dificuldade em lidar com um tema tão complexo e ainda envolto em tabus e incompreensão.

O que leva alguém ao suicídio? Será que poderia ter sido evitado? É algo que só acontece com os “outros” ou está mais próximo do que imagino?

Buscar respostas para estas questões é fundamental para evitar ideias preconcebidas sobre suicídio, entender seus muitos aspectos e os possíveis caminhos para evitá-lo. Um bom ponto de partida é ter em mente o seguinte: a “ideação suicida”, ou pensar em suicídio, é algo que está em todos nós.

Sentimento comum

“Em um momento de desespero, posso pensar que o suicídio é a única saída. Ou, se uma pessoa conhecida se matou e eu fico sabendo, também posso pensar ‘como seria se eu também me matasse? Como eu me sentiria? Qual seria o impacto disso nas pessoas?”, diz Dr. Neury J. Botega, professor titular pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O especialista explica que tais pensamentos podem “invadir” a mente nas mais variadas situações. Pode ser ao ler um livro, assistir a um filme ou simplesmente encarar a altura a partir de uma sacada.

Ler isso pode ser assustador. Mas, se você parar e vasculhar sua mente por um instante, verá que, mesmo que de forma muito passageira, você provavelmente já esteve nesta posição.

A maioria das pessoas, claro, não passa do pensamento à ação. Porém, é preciso enfrentar o fato de que algumas o fazem. E julgá-las, seja moralmente ou por outros motivos, é equivocado e não contribui em nada.

É preciso levar a sério

O problema está em quando a pessoa enfrenta um transtorno mental que a impede de tomar decisões racionais. Depressão, raiva, angústia, desalento. Quando esses sentimentos se tornam extremos, a morte pode parecer a única saída plausível.

Por isso não cabem julgamentos do tipo “suicídio é uma saída fácil” ou “coisa de covarde”. A pessoa está tão desesperada que pensa que esgotou as soluções e não enxerga outra saída.

Também é comum que relatos sobre suicídios venham acompanhados de depoimentos como “jamais imaginei que tal pessoa faria isso” ou “a pessoa não deu nenhum sinal de que cometeria suicídio”. Daí a importância de jamais ignorar ou subestimar a ideação suicida.

“Ah, mas a pessoa fala isso só para chamar a atenção, quem quer se matar se mata, não fica ameaçando. Pode ser que tenha um componente de manipulação, mas ainda assim é preciso levar a sério”, avisa Dr. Neury.

“A pessoa que em uma briga de casal, por exemplo, ameaça se matar se a outra terminar o relacionamento, pode estar blefando. Mas pode acabar se embriagando numa noite e cometer o suicídio”, alerta o especialista.

 

Sinais nem sempre claros

Tão importante quanto prestar atenção quando alguém fala em se matar é entender que às vezes a pessoa sequer oferece um sinal claro do que está por vir. Há, por exemplo, o que os especialistas chamam de “fuga para a saúde”.

“A pessoa está mal, mas foge e adota um comportamento aparentemente muito saudável, destemido, alegre. Ou vai ao shopping e detona o cartão de crédito. É uma fuga para a saúde e para o prazer”, diz Dr. Nery. Tal comportamento pode preceder um suicídio que parecerá totalmente incompreensível.

“Às vezes, o suicídio vai sendo tecido artesanalmente no íntimo da alma e a pessoa não demonstra isso para nós”. Dr. Neury J. Botega, professor titular pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Atenção é fundamental

Não existe um “guia” por meio do qual basta seguir algumas regras e o suicídio será evitado. Mas essas explicações e informações podem ser o primeiro passo para lidar com a ideação suicida da melhor forma possível.

Não subestime seu amigo, parente ou companheiro que fala em se matar. Não importa se ele o faz em “tom de brincadeira”, usando metáforas ou em uma situação aparentemente fora de contexto. Não se deixe levar pela ideia de que “ele nunca faria isso” porque você “o conhece bem”. Tampouco se apoie no comportamento alheio para tirar conclusões como “ele está agindo de tal modo, alguém que se mata jamais faria isso”.

Escute, converse, fique de olho, tente entender o que está se passando. Sem desespero ou decisões precipitadas. Tudo começa com pequenas atitudes. Já parou para pensar que uma única conversa, um único momento no qual a pessoa é realmente ouvida, pode mudar tudo e tirá-la do caminho que todos querem evitar?

E o mais importante: se for o caso, busque ajuda profissional. Só um especialista saberá avaliar a real situação e qual o tratamento adequado.

“A banalização é uma negação poderosa. É preciso guardar sempre em um ponto na memória que aquela pessoa, quando está mal, chega a pensar em morte como uma solução. Isso já é algo que merece atenção. É preciso estranhar e se interessar pelo que está levando a pessoa a isso” diz Dr. Neury J. Botega.

Fonte: Viva Bem – UOL

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