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Incêndio incontrolàvel em lixão no AC

Brasiléia, Acre

Após dez dias, o incêdio no aterro de resíduos sólidos da Rodovia Transacreana, em Rio Branco, ainda não foi controlado. Equipes do Corpo de Bombeiros do Acre e da prefeitura seguem no local no combate ao fogo.

Entre o último dia 24, quando começou o fogo, e esta quarta-feira (2), as equipes já usaram mais de 500 mil litros de água no combate. A quantidade de água é suficiente para abastecer 500 famílias acreanas.

“Usamos em média 50 a 60 mil litros de água por dia. Se a gente colocar mil litros por residência, conseguiríamos abastecer 500 famílias”, explicou a cadete Laiza Mendonça, da assessoria do Corpo de Bombeiros do Acre.

Esse é o terceiro ano consecutivo que ocorre o incêndio no aterro sanitário. Em 2018, o fogo começou em julho e levou mais de 50 dias para ser combatido. Já em 2019, o incêndio iniciou no final do mês de agosto e só foi controlado 47 dias depois por bombeiros e equipes da prefeitura.

Em 2020, mesmo com os esforços, os bombeiros avaliam que o combate deve durar mais de 40 dias também. Uma equipe da Rede Amazônica esteve no local, nesta quarta, e conversou com os bombeiros sobre as dificuldades no combate.

“A dificuldade maior é atingir o ponto onde está queimando, tem muito entulho, madeira e lixo. Utilizamos as máquinas para atingir onde está queimando. Reviramos com as máquinas onde tem fumaça e jogando água”, disse o cabo Ruandson.

Fumaça tóxica

O pior problema desse incêndio é a fumaça com resíduos químicos que sai do aterro e chega até os moradores e também atinge os trabalhadores. À Rede Amazônica Acre, o químico Alcides Santos explicou os riscos de respirar essa fumaça.

“A queima de lixo libera substâncias perigosas para a saúde humana. Todo aterro sanitário e lixão vai liberar gases que são produzidos pela decomposição da matéria orgânica. No entanto, o que está acontecendo na [Rodovia] Transacreana é uma queima não só de biogás que é produzido, mas estão sendo queimados plásticos, resíduos de eletrônicos, que liberam substâncias perigosas, cancerígenas, e que podem, com o tempo de exposição prolongado, causar doenças graves na população”, destacou.

Ainda segundo o especialista, a queima de lixo em aterros como o da rodovia deve ocorrer por décadas caso não seja feito um planejamento para o tratamento adequado para os resíduos.

O químico explicou que um dos caminhos para o fim desse problema seria a utilização de incineradores. Contudo, no aterro é difícil implantar a medida porque o lixo está soterrado em várias camadas.

“Então, é necessário fazer um estudo de viabilidade da canalização dos gases produzidos e, consequentemente, ver a possibilidade de geração de energia a partir desse material. Mas, o que não pode acontecer é a queima de plástico que produz a substância dioxina, que se acumula no organismo humano podendo provocar uma série de doenças, até mesmo respiratória e câncer e isso pode agravar a qualidade de vida das pessoas. Acredito que isso tem que ser visto com seriedade porque não podemos conviver anos após anos com a queima de lixo a céu aberto como temos visto”, criticou.

Santos alertou também que não apenas os trabalhadores e moradores próximos do local correm riscos com a fumaça, mas a população de áreas mais afastadas também. Isso porque, segundo ele, o vento espalha muito rápido os gases.

“Estamos em um período seco, agosto é um dos meses mais secos do verão amazônico e temos ventos que espalham essa poluição gasosa e, além dos gases que são liberados e agravam o efeito estufa, você espalha uma grande quantidade de material particulado e substâncias que podem atingir centenas de quilômetros e afetar as pessoas. É preciso ter um plano efetivo para resolvermos esses problemas e não venhamos mais enfrentar os problemas causados por essa queima descontrolada de resíduos sólidos”, concluiu.

Redação FN

Fonte G1

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